Skip Navigation LinksHome Artigos Artigo

Acupunctura Veterinária

Acupunctura Veterinária
Votação: 10 leitor(es) votaram neste artigo Média das votações: 3,0
escrito por Dr. Hugo Pereira
Categoria: Saúde
Visitas: 13900
HeadLine: A maioria dos animais reage bem à acupunctura, e não é raro relaxarem e ficarem sonolentos durante o tratamento. A introdução das agulhas é praticamente indolor na grande maioria dos pontos. No entanto, ...

A acupunctura (do latim acus – agulha, e pungere – picar ou puncionar) surgiu como modalidade terapêutica na China há mais de 5000 anos, tendo desempenhado um papel crucial na Medicina Tradicional Chinesa, a par da fitoterapia (ervas medicinais) e da fisioterapia. Os primeiros registos de acupunctura em animais datam de há aproximadamente 3000 anos, tendo-se generalizado a sua utilização, não só com fins curativos, mas também preventivos.


Em finais do século XIX e ao longo do século XX, diversos médicos e veterinários ocidentais, tendo estudado extensivamente a Medicina Tradicional Chinesa, iniciaram a sua divulgação nos países ocidentais, onde o seu uso se vulgarizou recentemente. A partir dos anos 70 do século passado, com o aumento do interesse público e devido aos resultados por vezes surpreendentes obtidos na prática, intensificou-se a investigação científica sobre o modo de funcionamento e as técnicas da acupunctura, o que trouxe um grande desenvolvimento a esta modalidade terapêutica.


De acordo com a filosofia médica da China antiga, a doença é o resultado de um desequilíbrio da energia do corpo e a acupunctura permite restabelecer este equilíbrio de energia, ajudando o corpo a curar-se da doença. Segundo a ciência ocidental, e de acordo com os pontos usados, a acupunctura induz a libertação de certas hormonas, como o cortisol, ou de substâncias analgésicas como endorfinas (analgésicos endógenos) e serotonina, estimula nervos, aumenta a circulação sanguínea de diversos órgãos e induz vários mecanismos anti-inflamatórios. Embora alguns dos efeitos fisiológicos da acupunctura já tenham sido amplamente estudados e sejam bem conhecidos, existem muitos outros que ainda não são fáceis de explicar à luz da medicina ocidental.


A aplicação da acupunctura na medicina veterinária está em franco crescimento, sendo parte integrante dos currículos de diversas faculdades e respectivos hospitais escolares por todo o mundo. Quando utilizada correctamente, e de forma integrada com as abordagens médicas convencionais, a acupunctura pode providenciar uma valiosa modalidade terapêutica, nomeadamente em doenças crónicas e no alívio da dor em patologias neurológicas e musculo-esqueléticas.


Existem diversas técnicas para a estimulação dos pontos de acupunctura em animais, como agulha sólida, agulha hipodérmica com injecção de fármacos (soro fisiológico, vitamina B12, etc.), electroestimulação, moxibustão, laser de baixa intensidade, pressão digital, massagem, ou implantação de ouro para estimulação prolongada. A sua utilização depende de diversos factores, nomeadamente o paciente e a patologia a tratar.


A acupunctura é tradicionalmente indicada para problemas locomotores (como artropatias e patologias neurológicas), inflamações de origem não infecciosa (como alergias) e em casos de dor de uma forma geral. Nos animais de companhia, os problemas mais frequentemente tratados mediante acupunctura são os seguintes:

· Patologias musculo-esqueléticas como artrites, hérnias discais, etc.;
· Problemas de pele, como granulomas e dermatites alérgicas;
· Problemas respiratórios, como a asma felina;
· Distúrbios gastrointestinais, como diarreia;
· Patologias reprodutivas como infertilidade;
· Patologias neurológicas como encefalites, paralisias faciais, epilepsia;


A maioria dos animais reage bem à acupunctura, e não é raro relaxarem e ficarem sonolentos durante o tratamento. A introdução das agulhas é praticamente indolor na grande maioria dos pontos. No entanto, tal como é referido por humanos, pode provocar sensações de formigueiro ou calor, o que pode ser interpretado como desagradável por alguns animais no início das primeiras sessões do tratamento. Cerca de 10% dos animais, num misto de medo e sensibilidade, mostram algum desagrado pelas picadas numa fase inicial, mas muito rapidamente se familiarizam com o processo e colaboram.


Também é comum observar alterações comportamentais após o tratamento com acupunctura, como aumento do apetite e melhora na disposição geral, bem como um óbvio alívio da dor e do mal-estar do animal. Alguns pacientes respondem muito rapidamente à acupunctura e mostram melhoras dramáticas logo após uma sessão. No entanto, a grande maioria dos animais responde gradualmente. A frequência e número total de sessões necessárias varia de acordo com o paciente e a evolução da doença. A duração de cada sessão também é variável, mas geralmente não ultrapassa os 30 minutos.


É importante referir que, tal como acontece com todas as outras modalidades terapêuticas, existem pacientes refractários à acupunctura e como tal não respondem ao tratamento. De uma forma geral, é considerada uma das modalidades terapêuticas mais seguras e com menores efeitos secundários, desde que administrada por um profissional qualificado, ou seja, um médico veterinário com os conhecimentos adequados de anatomia e fisiopatologia animal. Os efeitos secundários ou colaterais são raros, e quando existem geralmente manifestam-se durante as primeiras 48 horas após o tratamento. Sintomas como sonolência ou letargia, já referidos anteriormente, duram geralmente poucos minutos, e quando se prolongam durante mais tempo são normalmente indicativos das mudanças fisiológicas que estão a decorrer no corpo do paciente, sendo frequentemente precedidos por uma melhora no estado do animal.


Hugo Pereira, Médico Veterinário
Local: Hospital do Restelo
Telf: 213 032 119


Este artigo foi escrito no fórum deste portal, dia 27-Mar-2007

Comentários

Quer comentar este artigo?

Nome:
E-mail:
Comentário:
Insert Cancel
ir para o topo
AzulJasmim 2006-2009 - Todos os direitos reservados