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Febre da Carraça no Homem / Mediterranean spotted desease fever
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escrito por
Sofia Firmino
Categoria: Saúde
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A abordagem de patologias comuns entre homem e cão, apesar de, na sua maioria, terem apresentações e sintomatologias distintas, vem da necessidade de esclarecer os leitores e intervenientes neste espaço.
Para a elaboração deste artigo, contei com a preciosa colaboração de Fátima Lampreia, Médica de Medicina Interna no Hospital de São José - Serviço de Medicina, no qual também trabalho como enfermeira.
A Febre da Carraça será a primeira de algumas das doenças que afecta igualmente humanos e animais, mais especificamente, cães.
Como é natural, a linguagem utilizada será da compreensão de todos, excluíndo a terminologia científica.
FEBRE DA CARRAÇA
SUMÁRIO:
1.
O que é a Febre da Carraça?
2.
Como evolui a doença?
3.
Profilaxia
4.
Conclusão
1. O que é a Febre da Carraça?
A Febre da Carraça, também conhecida por Febre Escaro-Nodular, Febre Botunosa ou Febre Mediterrânica, é uma doença de carácter endémico com predomínio no Verão, nos países da orla mediterrânica.
As primeiras descrições da Febre Escaro-Nodular foram efectuadas em 1910 por Conor e Bruch, na Tunísia. Em Portugal, Delfim Pinheiro, identifica e descreve em 1923, os primeiros casos clínicos. Ricardo Jorge, na década de 30, contribuiu para a divulgação desta entidade e designa-a por Febre Escaro-Nodular.

O agente responsável pela transmissão acidental ao homem é um parasita designado por Rickettsia Conorii e faz-se habitualmente através da carraça do cão (Riphicephalus Sanguineus).
2. Como evolui a doença?
O achado característico (local da picada), por excelência, é a escara de inoculação ou tache noire, muitas vezes ausente e que deve ser pesquisada em zonas expostas da pele, e em particular nas áreas escondidas, nomeadamente nas virilhas, atrás das orelhas e nas regiões sub-mamárias.
A Febre Escaro-Nodular tem um período de incubação média de 3 a 7 dias.
A tríade clássica desta doença é caracterizada por febre, erupção da pele e escara de inoculação.
Numa primeira fase, o doente apresenta dores de cabeça, vómitos, diminuição da força, dores nas articulações e/ou alterações do trânsito intestinal.
Numa segunda fase, cerca de 3 dias depois, aparece febre e erupção da pele, que geralmente atinge as plantas dos pés e as palmas das mãos, sem no entanto dar prurido (comichão).
A terceira fase ou período de convalescença, caracteriza-se por diminuição da febre e das queixas gerais, com uma duração de 3 semanas.
Habitualmente, a Febre Escaro-Nodular tem uma evolução benigna, mas pode assumir formas graves, dependente de diversas variáveis, como a idade do doente, patologias crónicas associadas (cirrose, diabetes, insuficiência cardíaca, alcoolismo, entre outras), virulência das estirpes, início precoce do tratamento em doentes sintomáticos e complicações graves.
O tratamento desta doença pressupõe um diagnóstico atempado com instituição de antibiótico ou internamento hospitalar nos doentes de risco e/ou nas formas graves da doença (choque, alterações da coagulação, insuficiência renal, insuficência respiratória e meningoencefalite).
3. Profilaxia
A melhor profilaxia desta doença assenta na implementação de medidas higiénicas e educacionais.
- Evitar locais com muita vegetação e sombra;
- Evitar zonas infestadas por carraças, e quando é inevitável o contacto, fazer a pesquisa e remoção periódica de carraças de 4 em 4 horas;
- Utilizar vestuário claro que cubra todo o corpo, especialmente pernas e braços e colocar as meias por cima das calças;
- Remoção das carraças na habitação e nos animais;
- Aplicação de repelentes nos braços e nas pernas;
4. Conclusão
Em Portugal, a taxa de incidência da Febre Escaro-Nodular continua a ser uma das mais elevadas dos países da bacia do Mediterrâneo. De 1989 a 2000, foi de 9,8/100 000 habitantes. Neste período, o Alentejo foi a região que apresentou a taxa de incidência mais elevada (31,4/100 000 habitantes).
Por este motivo, é imperioso instituir todas as formas de profilaxia na prevenção desta doença.
Sofia Firmino
este artigo foi gentilmente escrito pela Sofia, no fórum deste site (dia 10-Nov-2007)