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escrito por
Sílvio Pereira
Categoria: Educação Canina
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Para que, de uma vez por todas, se esclareça a importância que um e outro têm no contexto em que se inserem, resolvi escrever este artigo explicando a relevância de cada um.
Por ser um tema polémico, não só neste portal como em muitas discussões em tertúlias caninas, estes dois conceitos têm-se tornado objecto de discordâncias em relação ao papel de cada um na evolução da aprendizagem do cão.
Para que, de uma vez por todas, se esclareça a importância que um e outro têm no contexto em que se inserem, resolvi escrever este artigo explicando a relevância de cada um.
Recorrendo-me do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, etimologicamente Educação é a
“acção de desenvolver no indivíduo, especialmente na criança ou no adolescente, as suas capacidades mentais e físicas e de lhe transmitir valores morais e normas de conduta que visam a sua integração social”. Adestramento é a
“acção ou resultado de ensinar, exercitar e treinar conceitos de formação específica”.
Para facilitar a compreensão dos dois conceitos e a diferença existente entre ambos, vou utilizar o exemplo do ser humano.
O produto final de um ser vivo é o resultado da interacção do seu potencial genético com o meio em que se desenvolve. Sendo assim podemos chegar à conclusão que, no ser humano, como no cão ou em qualquer ser vivo, a influência genética é pouco relevante na formação da personalidade de um indivíduo. Resta-nos a envolvente social para formarmos e moldarmos essa mesma personalidade.
A criança desde que nasce, começa a ser educada segundo os padrões culturais dos seus pais, através da experiência que nós próprios adquirimos e dos valores que defendemos, vamos transmiti-los às nossas crianças com o objectivo de torna-los os adultos de amanhã moldados à nossa imagem ou à imagem daquilo que achamos ser o tipo ideal, moral e socialmente. Assim, nos primeiros anos vamos administrar-lhes conceitos básicos que, apesar de tudo, serão muito úteis e totalmente necessários para a vivência em sociedade: o conceito de hierarquia e coesão familiar, vamos ensiná-lo a alimentar-se, a vestir-se, a fazer a sua higiene pessoal, transmitir-lhe os valores da solidariedade, da amizade, da honra, etc., a maneira como aceitar e lidar com os estranhos à família e muitos outros conceitos de primeira necessidade que lhe possibilitarão enfrentar o dia a dia. Isto é educar.
A aprendizagem mais formal e com objectivos de formação mais específica é aquela que é administrada nos bancos das escolas primeiro e nos anfiteatros das Faculdades depois, transmitida por pessoas com formação própria para o fazer. Ler, escrever, deduzir matematicamente, interrelacionar conceitos de história, geografia, física, química, etc., adquirir cultura geral, enfim, formar-se intelectualmente. Isto é treinar e desenvolver o intelecto.
Pois se para nós humanos, isto é tão claro, porque não o será também para os cães? Não estarão neles relacionados estes ciclos de vida à semelhança do que acontece com os nossos filhos? Não necessitam eles de se socializarem e de se hierarquizarem? Não estamos nós obrigados a ensiná-los a comer a horas e em sítios certos, a fazerem as suas necessidades nos locais apropriados, a brincar, a jogar, a interagir connosco e com os da sua espécie, em suma, a torná-los sociáveis? Isto é educar um cão.
Tudo isso está muito correcto, mas essa aprendizagem ficaria incompleta se não conseguíssemos interagir e interrelacionar com eles de uma forma completa. Para isso o cão precisa de aprender mais e neste caso é uma aprendizagem já não tão abrangente do ponto de vista social e de cuidados primários de sobrevivência, mas mais específica em termos de obediência básica e social. Para vivermos em paz e harmonia com o nosso amigo canino e disfrutarmos da sua companhia, ele tem que saber andar ao lado do dono calma e ordenadamente, tem que se sentar e deitar ao mando do dono, tem que saber ficar quieto e calmo quando o dono vai ao café ou à padaria, tem que vir quando é chamado, etc., fundamentalmente tem que ser obediente. E aqui, vamos ter que adestrar o nosso cão nessa componente.
Do que foi dito podemos deduzir que, e infelizmente é pratica corrente em muitas das nossas escolas de treino canino, adestrar um cão que não tenha as bases consolidadas da sua educação primária é a mesma coisa que colocar uma criança de sete anos a tirar uma licenciatura em Engenharia ou em Medicina.
Por fim, queria adiantar que tudo o que foi exposto, não é o resultado de uma mera opinião do articulista, mas baseado em estudos científicos efectuados pelos mais conceituados Etólogos e especialistas em Comportamento Canino a nível mundial.
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